Em cartaz

Acompanhe o espetáculo
do Grupo do Pulo:

De Versão Em Versão

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A opressão que nos cerca

Nadya Milano recomendou ao Grupo do Pulo a matéria de Romário Borelli, para o jornal O Estado de S.Paulo, que escreveu sobre a trajetória de vida de um dos representantes mais significativos para o teatro brasileiro e mundial, que nos deixou neste ano de 2009, falo de Augusto Boal. Como responsável pela estruturação de um teatro onde a voz ativa partia do público, Boal apresentou de forma clara a democracia em seu formato mais justo, o do ponto de vista humano. A partir do momento em que o primeiro espect-ator ganhou voz diante da platéia, tornou-se membro representATIVO de um teatro que se tornava cada vez mais real, onde aquele que era desprovido do direito de falar, organizava em sua criação, a auto-crítica e sua posição na sociedade. Os direitos humanos expostos aos milhares desde a exploração infantil, da mulher, do trabalhador e a opressão política se tornaram foco de um teatro que se espalhou por todo o mundo em busca de mais vozes ativas.

Mas onde estaria o brilhantismo e o espetáculo da obra teatral de Augusto Boal?

A resposta me veio a partir de uma palestra, proferida pelo próprio Boal no Cine Vila Rica de Ouro Preto há alguns anos atrás. Sempre conheci aquele homem como um mito que ouvimos falar nos livros, praticamos suas propostas e percorremos sua trajetória. Quando Boal chegou com sua bengalinha e cumprimentou a platéia ansiosa de aproximadamente 500 pessoas tive a certeza que o espetacular na obra de Boal estava na dura resistência pela busca da humanidade.

Nesse sentido, voltamos a um Brasil banhado de corrupção e um mundo inconseqüente de suas responsabilidades e nos lembramos, onde está o nosso sentimento de inquietação? A humanidade grita, mas não ouvimos.


Boal Boa Boal! A Alma Boa!

Honduras Libre!

Agora que a oposição venceu as eleições em Honduras, o que vai acontecer com o Zelaya?

Continuará na nossa embaixada, de onde ele irá coordenar um contragolpe?

Ou permanecerá sob nossa guarida apenas até conseguir se encontrar? Organizar as idéias, decidir que rumo seguir (de preferência só depois do natal e do ano novo).

Virá talvez para o Brasil, montar uma ONG junto com o Battisti? O governo brasileiro certamente vai ajudar no que for preciso.

sábado, 28 de novembro de 2009

VIVO OU MORTO?

Acabo de ler que o governo está estudando uma nova maneira para que os aposentados (beneficiários do INSS) provem que estão vivos. Eles precisam provar que vivem, portanto tem direito de receber seus benefícios.
Que país é esse? Uma pessoa viva precisa provar que está viva?
O que fazem com os atestados de óbito? Reciclam os papéis?
Só agora pensaram em cruzar informações?
Temo que nossos dirigentes estejam dormindo. Temo que nós, eleitores, estejamos adormecidos.
Seria necessário um panelaço, à semelhança de nossos irmãos argentinos, para que o povo acorde e estaleça um acordo de honestidade?
Precisamos restabelecer nossa dignidade!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Tupiniquins

Na inauguração da nova oca, estavam presentes os caciques municipais, estaduais e federais; todos em traje de gala. Os caciques municipais aplaudiram o discurso dos estaduais, que aplaudiram o discurso dos federais. Tudo em plena e admirável harmonia, como se de uma só e eterna opinião se constituísse a tribo.

O representante enviado do cacique-chefe municipal foi ovacionado com louvor. Diz-se que os caciques municipais querem chegar a estaduais. O cacique-chefe estadual chegou mais tarde à comemoração e foi apajeado pelos pajés, pois quer ser federal. Dos caciques federais, diz-se, hoje em dia, que querem ser estrelas de cinema.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A Vida sem o ENEM

Chovia. Ainda assim, 120,5 mil jovens candidatos compareceram à prova da Fuvest neste domingo, tendo em mente uma nova e engenhosa fórmula matemática de bônus para esta primeira fase do mais concorrido vestibular do país. O cálculo, complexo, completamente substituiu a vantagem numérica originalmente concedida pelo Exame Nacional. Afinal, quem está bem preparado para um exame, também o está para outro, disseram os especialistas.

Enquanto isso, no País do Futebol, discute-se fervorosamente se assassinatos políticos matam menos do que aqueles cometidos por motivos comuns. Assim, ao mesmo tempo em que criminosos extraditáveis fazem greve de fome, implorando que alguém com isso se compadeça e impeça um cruel destino justo, comemoram-se as desavenças internacionais com um convite a uma partida amistosa entre israelenses e palestinos, em times mistos.

A vida, sem o ENEM, continua. De vento em popa, diriam os navegantes.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A fraude do ENEM - sábado, 14/11 às 18:30h

No próximo dia 14, às 18:30, faremos nova apresentação na Saraiva MegaStore do Shopping Morumbi. Gratuito. Av Roque Petroni Jr, 1804.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

MAIS TRECHOS DO ESPETÁCULO "GRIPE SUÍNA"

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Jornalista: (manchetes de jornais e internet projetadas atrás dele) Boa Noite! (espirra) Desculpem.
O vírus H1N1, mais conhecido como vírus da gripe suína, continua marcando presença. Nos diversos países atingidos pela doença, já foram registradas várias mortes, que aumentam a cada dia (muda projeção para Gripe Suina)
Algumas notícias acabam causando mais pânico do que esclarecimento. Como no caso “Que diabos é isso?”, que veremos agora.



(...)

Cleto – Perguntei cadê Lindalva diacho?
Jocimário – (espriguiçando-se) Como é?
Maria Rosa – Mais que diacho de inquetamento é esse homem? Lindalva foi colher uns legume pro cozido que to preparando pra janta, ué...
Cleto – Lindalva tá lá fora??!!!
Jocimário – Que é que tem cunhado? Ela vai lá fora todo dia ué...
Lindalva – Benção pai.
Cleto – Graças a Deus! Deus abençoe todo nós aqui nessa casa. E pra dar uma mão pro pai de todos a partir de agora eu proíbo todo mundo de por os pé pra fora dessa casa!
Maria Rosa – Endoidou homem?
Cleto – Endoidei nada. Trouxe notícia da cidade (Pega um jornal escondido debaixo da camisa) Até comprei o jornal...
Jocimário – Nossa! Que foi que aconteceu?
Cleto – Ta todo mundo morrendo numa tal de pandemia!
Maria Rosa – Uma tal de quê?
Cleto – Pandemia.
Jocimário – Isso aí é conversa do povo.
Cleto – Nada! Ta no jornal! Disse que o negócio ta tão feio, que teve até seleção de futebol desclassificada pra não morrer mais gente...
Jocimário – O Brasil?
Cleto – Nada!
Jocimário – Ainda bem!
Cleto – Bem nada cunhado! Nós somos os mais provavelmente os próximos!
Lindalva – Conta essa história direito pai.
Cleto – Os porco! Ninguém pode mais chegar perto dos porco! São eles que estão matando nós!
Jocimário – Que coisa mais sem sentido cunhado. Meus lindinho nunca vão matar nós!
Cleto – To falando. É a gripe dos porco – gripe suína! Se nós pega a gripe dos porco morre depois de dez dia!
Jocimário – Que bobageira. A gente é que passa gripe pros porco! Eu vou lá agora mesmo ver se a Rosilda melhorou. Ela sim ta ruim...
(Cleto corre pra frente de Jocimário)
Cleto – Já disse que ninguém sai daqui. Nem chega perto dos porco! Ainda mais com a Rosilda doente!
Jocimário – Ai minha nossa senhora! Se essa gripe mata, são os porco que vão morrer!
Cleto – Melhor não chegar perto deles se não ocê pode contaminar eles!
Jocimário – Mais nem nunca! Ninguém chega perto dos porco pra não machucar eles!
Lindalva – Que bobageira pai! Isso é invenção do povo que escreve nos jornal! Eles querem é que nós compra o jornal deles!
Cleto – Ta achando que seu pai é bobo menina? É pesquisa dos doutor de laboratório!
Lindalva – Então é invenção dos doutor dos laboratório pra vender remédio pra nós...
Cleto – Já disse que seu pai não é bobo! Sei quando é coisa séria!
Lindalva – Então por que toda vez que ocê volta da cidade, ocê comprou alguma coisa inútil? Hoje trouxe o jornal, da próxima vez, vai trazer o benegripe sabor bacon, pra curar a gripe dos porco!
Cleto – Ocê larga de ser arredia menina, que leva um coro de marcar gado!
Maria Rosa – Deixa a menina homem. Ela tem a cabeça boa, só quer entender melhor essa história... Por que a gente não lemos esse jornal?

(...)



Jornalista: Em tempos de pandemia viajar se tornou uma atividade de risco, deixando a dúvida: arriscar a saúde ou abrir mão da tão sonhada viagem? Como veremos no próximo caso “Viagens em tempos de gripe”.



(...)



Patrícia: Que mané inconsequente Lola. Você já decidiu quantos biquinis vai levar? (volta a fazer a mala)
Lola: Não, andei ocupada com itens mais úteis (tira máscara da sacola)
Patrícia: É? Tipo o que? (dobra vestidos de verão)
Lola: Tipo máscaras de proteção (coloca na frente do rosto e mostra para Patrícia)
Patrícia: Eu não acredito que você comprou isso. Você pretende usar máscara na praia?
Lola: Eu já decidi que não vou viajar , mas se fosse usaria no avião. Muita gente junta, ar condicionado, se não puder evitar aglomeração então é melhor se prevenir.
Patrícia: A gente pode viajar do lado de fora da aeronave, deve ser mais fresquinho. Será que eles já estão vendendo assentos na asa?
Lola: (entregando máscara para Patrícia) Se você quiser pode ficar com essa, apesar de não ter me convidado para fazer o curso de mergulho...
Patrícia: (pega a máscara e coloca no seio) Se molhar vai ficar transparente.
Lola: (toma a máscara de volta com raiva) Nem todo mundo tem a educação de colocar a mão na frente quando tosse ou espirra. Você nem parece uma pessoa instruída.
Patrícia: Você quer dizer que eu não pareço neurótica.
Lola: (tira álcool da sacola) Eu também comprei álcool em gel.
Patrícia: (tira spray da mala, borrifa no próprio pescoço e no rosto de Lola)) Eu comprei água termal, para me refrescar.
Lola: A madame blindada acha que nenhum mal pode alcançá-la. Só pensa em diversão.
Patrícia: Caramba! Nem parece que você está saindo de férias.
Lola: Eu sou uma pessoa prevenida, eu penso na possibilidade de algo sair errado.
Patrícia: Lola, presta atenção, esse alarde todo é coisa de jornal, que precisa vender notícia.
Lola: (segura jornal no alto) Mas os jornais não saem por aí matando pessoas.
Patrícia: A gripe comum mata mais do que a gripe suína.
Lola: Eu não tô a fim de arriscar a minha vida.
Patrícia: E eu não tô a fim de desperdiçar as minhas férias.
Patrícia abre uma bebida, refrigerante ou cerveja
Lola: Eu prefiro ir para algum lugar que não tenha tanto turista, que não seja tão arriscado.
Patrícia: Sei, um spa para a terceira idade.

TRECHOS DO ESPETÁCULO "GRIPE SUÍNA"

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Jornalista: Essa situação de pânico não se restringe apenas a população civil. O medo também está atingindo os líderes políticos e religiosos. Tentando zelar pela saúde da população, alguns dirigentes chegaram a tomar medidas extremas, como veremos a seguir em “Estado de emergência”.


(...)

O Prefeito cumprimenta o Padre, depois limpa a mão num paninho com álcool e se justifica sem que possamos entender uma só palavra por causa da máscara.

PADRE SIMÃO: Por favor, eu já não entendi nada do que a sua secretária falou. Dá pra tirar isso?
O Prefeito faz sinal que não pode fazer nada.
PADRE SIMÃO: Como vamos conversar assim?
PADRE SIMÃO: Ah, por caridade, senhor prefeito. Eu tenho algo muito, muito sério pra discutir.
Simão tanta se aproximar do prefeito, que recua.
PREFEITO (afastando um pouco a mascara para falar ao padre): Você viu o aquele prefeito do Mato Grosso do Sul? Até o Uribe pegou! Tenho que me cuidar. A cidade precisa de mim, não posso correr riscos.
O padre Simão pega da mesa do prefeito um porta-retrato com a foto de uma adolescente.
PADRE SIMÃO (propositalmente alto): Quem está correndo risco aqui sou eu. A cidade toda sabe que... Todo mundo sabe que foi a sua filha que trouxe a gripe.
O prefeito pega o porta-retrato das mãos do padre e coloca-o em cima da mesa com a fotografia voltada para baixo.
PREFEITO: E daí? Que importância isso tem? Temos 18 cidadãos sob suspeita.
PADRE SIMÃO: No município inteiro...
PREFEITO: Ora...
PADRE SIMÃO: ...sob suspeita há uma semana...
PREFEITO: Veja bem...
PADRE SIMÃO:...e sem nenhuma confirmação?
PREFEITO: Se o senhor veio até aqui só para dizer o que eu já sei...
PADRE SIMÃO: Não perderia o nosso tempo dessa forma. E reconheço a sua preocupação.
PREFEITO: Somos dois homens sensatos.
PADRE SIMÃO: Eu vejo pontos positivos na sua medida.
Prefeito pega uma garrafa de pinga e dois copos.
PREFEITO: São vários.
PADRE SIMÃO: Um período sem festas vai ser bom pra juventude da cidade, sem aglomerações inúteis, sem balbúrdias.
PREFEITO: E muito mais...
Prefeito serve-se de uma dose. Simão põe a mão em cima de seu copo, impedindo o prefeito de colocar uma dose de pinga para ele, num gesto pouco amigável.
PADRE SIMÃO: Infelizmente tem mais. Essa situação inclui... as minhas missas, isso é...
PREFEITO: O senhor pode sim rezar as missas, como não?
PADRE SIMÃO: Com as janelas da igreja todas escancaradas? De porta aberta, com esse frio? Com esse vento gelado do inverno?
PREFEITO: Para isso existem os agasalhos.
Prefeito pega o seu copo de pinga e sorri. O prefeito dá uma bicadinha na pinga.
PADRE SIMÃO: O senhor quer matar as minhas beatas? Ao invés de pegar essa gripezinha elas vão ficar é com pneumonia. Qual a vantagem nisso?

(...)